11 pacientes perdem a visão após cirurgia de catarata em clínica de Salvador
Casos ocorreram após procedimentos realizados na clínica Clivan; unidade foi interditada e pacientes seguem em acompanhamento na rede pública
Onze pacientes perderam a visão de um dos olhos após passarem por cirurgia de catarata realizada na clínica Clivan, em Salvador. Os procedimentos ocorreram no dia 26 de fevereiro e, após complicações, os pacientes precisaram ser submetidos a uma cirurgia chamada evisceração ocular, que remove o conteúdo interno do olho.
A informação foi divulgada pela Folha de S.Paulo. Segundo a reportagem, a técnica preserva a parte externa do olho, conhecida como esclera, além dos músculos extraoculares e das pálpebras.
Mais de 20 pacientes passaram por cirurgia no mesmo dia
De acordo com a Secretaria Municipal da Saúde de Salvador, 26 pessoas passaram pela cirurgia de facoemulsificação — técnica utilizada para tratar catarata — na mesma clínica e no mesmo dia.
Todos os pacientes seguem em acompanhamento pela rede pública de saúde e não há previsão de alta médica neste momento.
Entre os operados, 11 precisaram passar pelo procedimento de evisceração ocular, após complicações graves. Eles continuam em acompanhamento especializado, com revisões periódicas definidas de acordo com a avaliação médica de cada caso.
Pacientes serão encaminhados para reabilitação
A Secretaria Municipal de Saúde informou ainda que os pacientes afetados serão encaminhados para acompanhamento no Instituto dos Cegos da Bahia.
No local, o atendimento será realizado por uma equipe multiprofissional, incluindo psicólogos, com foco no processo de reabilitação e adaptação após a perda da visão.
Clínica foi interditada
A clínica Clivan está interditada desde o dia 2 de março e teve o contrato suspenso pela prefeitura de Salvador.
Na entrada da unidade foi fixado um aviso orientando pacientes que estavam em acompanhamento no local a procurar a regulação municipal para receber orientações e serem encaminhados para outros serviços da rede de saúde.
Conselho de Medicina abriu investigação
O Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia informou, por meio de nota, que instaurou uma sindicância para investigar o caso após fiscalizações realizadas na clínica.
Caso sejam identificados indícios suficientes de irregularidades, o procedimento pode resultar na abertura de um processo ético-profissional. O conselho destacou ainda que esse tipo de processo tramita sob sigilo.
Até a publicação da reportagem, a clínica não havia respondido aos contatos feitos pela imprensa.
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