Erika Hilton aciona MPF contra Ratinho e SBT por declarações consideradas transfóbicas na TV
Deputada pede investigação e indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos após comentários exibidos em programa de televisão
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) acionou o Ministério Público Federal (MPF) para investigar o apresentador Ratinho e o SBT após declarações consideradas transfóbicas exibidas durante o Programa do Ratinho, na quarta-feira (11).
Na representação enviada ao MPF, a parlamentar solicita a abertura de inquérito civil e também de uma ação civil pública, com pedido de indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos à população trans e travesti.
Declarações ocorreram ao comentar eleição na Câmara
De acordo com o documento apresentado pela deputada, o apresentador teria negado repetidamente a identidade de gênero da parlamentar ao comentar sua eleição para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados.
Erika Hilton foi eleita para o cargo após receber 11 votos favoráveis no segundo turno, alcançando a maioria simples necessária para assumir a presidência da comissão.
Durante o programa televisivo, Ratinho afirmou que a deputada “não é mulher”, declaração que rapidamente repercutiu nas redes sociais e gerou forte debate público.
Representação aponta ofensa coletiva
Segundo o documento encaminhado ao MPF, as falas não se limitam a um ataque pessoal contra a parlamentar, mas atingem coletivamente mulheres trans e travestis, ao questionar a legitimidade de suas identidades de gênero.
A representação também argumenta que discursos desse tipo, quando proferidos por comunicadores com grande audiência nacional, podem reforçar estigmas e ampliar a discriminação enfrentada por pessoas trans no Brasil.
Pedido inclui retratação pública
Além da indenização milionária, o pedido apresentado ao MPF prevê que Ratinho e o SBT sejam obrigados a realizar uma retratação pública sobre o conteúdo exibido.
De acordo com a solicitação, essa retratação deveria ser transmitida em horário nobre e com duração equivalente à fala considerada discriminatória.
Caso a ação seja aceita pela Justiça, o valor da indenização poderá ser destinado ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos, para financiar projetos e iniciativas de proteção aos direitos de mulheres trans, travestis e cisgênero vítimas de violência de gênero, especialmente aquelas em situação de vulnerabilidade social.
Leia mais notícias sobre Brasil no Restinga Em Foco e fique por dentro de tudo!
Avalie esta notícia
Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar nesta matéria.